Publicidade médica: o que pode e o que não pode
Um guia direto da Resolução CFM 2.336/2023: o que você pode divulgar sem medo, o que continua proibido e as zonas cinzentas que mais geram denúncia ao conselho.
- ✓Divulgar seu trabalho nas redes
- ✓Anunciar o preço da consulta
- ✓Antes e depois com fim educativo
- ✓Mostrar ambiente e equipamentos
- ✕Prometer ou garantir resultado
- ✕Sensacionalismo e autopromoção
- ✕Venda casada e sorteio
- ✕Publicidade de produtos
- Sim, médico pode fazer publicidade. A Resolução CFM 2.336/2023 está em vigor desde 11 de março de 2024 e flexibilizou boa parte do que antes era vedado.
- Liberado: divulgar seu trabalho nas redes, mostrar o ambiente e os equipamentos da clínica, anunciar o preço da consulta, usar imagens com finalidade educativa e repostar elogios de pacientes.
- Proibido: prometer ou garantir resultado, sensacionalismo, autopromoção, publicidade de medicamentos e produtos, venda casada e ensino de ato médico a não médicos.
- O detalhe que mais pega gente: quase sempre o problema não está na imagem, e sim na legenda que promete transformação.
Se existe um assunto que trava o crescimento de bons profissionais, é este. Em praticamente todo diagnóstico que fazemos, o médico repete alguma versão da mesma frase: "eu queria divulgar, mas tenho medo de tomar processo no conselho".
O medo é legítimo, mas na maioria das vezes ele está desatualizado. As regras de publicidade médica mudaram, e mudaram para o lado de quem quer se comunicar. Este guia resume o que a norma vigente diz, em português claro, e mostra onde estão as armadilhas reais.
A resposta curta
Médico pode fazer publicidade. Pode divulgar o próprio trabalho, aparecer nas redes sociais, mostrar o consultório, informar quanto custa a consulta e produzir conteúdo educativo com imagens. O que a norma proíbe não é a divulgação em si: é a propaganda enganosa, a promessa de resultado, o sensacionalismo e a autopromoção.
Traduzindo para o dia a dia: você pode contar o que faz e como faz. O que você não pode é garantir o que vai acontecer com o paciente.
O que mudou com a Resolução 2.336/2023
A Resolução CFM nº 2.336/2023 entrou em vigor em 11 de março de 2024 e revisou as regras anteriores de publicidade e propaganda médica. O espírito da mudança foi reconhecer que a comunicação digital virou parte da prática profissional, e que uma norma dos anos 2000 não dava conta de Instagram, YouTube e anúncios online.
Entre os pontos que foram flexibilizados estão a divulgação de preços de consultas, a publicidade dos equipamentos disponíveis no local de trabalho, o uso de imagens de pacientes com finalidade educativa e a republicação de elogios recebidos.
O texto abaixo resume a norma de forma prática, mas não substitui a leitura da resolução na íntegra nem a orientação do seu Conselho Regional. Em caso de dúvida sobre uma peça específica, consulte o CRM do seu estado, que responde a consultas de conformidade.
O que É permitido
Esta é a lista que costuma surpreender o médico que ainda opera com a régua antiga:
| Prática | Situação | Condição |
|---|---|---|
| Divulgar o próprio trabalho nas redes sociais | Permitido | Com caráter informativo e educativo |
| Anunciar o preço da consulta | Permitido | Sem venda casada ou premiação atrelada |
| Mostrar o ambiente de trabalho e os equipamentos | Permitido | Sem induzir garantia de resultado |
| Usar imagens de pacientes ou de banco de imagens | Permitido | Finalidade educativa e autorização do paciente |
| Publicar antes e depois de procedimentos | Permitido | Caráter educativo, sem sensacionalismo |
| Repostar elogios e depoimentos de pacientes | Permitido | Sem que vire prática sistemática |
| Anunciar pós-graduações e titulações concluídas | Permitido | Formação efetivamente concluída |
| Dar entrevistas e publicar artigos | Permitido | Finalidade educativa ou de divulgação científica |
Em outras palavras: a maior parte do que uma clínica precisa fazer para ser encontrada e escolhida já é permitido hoje. O que muda em relação ao marketing de outros setores é o tom, que precisa ser informativo, e não promocional no sentido tradicional.
O que é proibido
Aqui mora o risco real. As vedações mais relevantes para quem produz conteúdo são:
- Prometer ou garantir resultado. É a infração mais comum e a mais fácil de cometer sem perceber. "Resultado garantido", "você vai ficar assim" e "método infalível" são exemplos diretos.
- Propaganda enganosa de qualquer natureza, incluindo a divulgação de métodos não reconhecidos pelo CFM.
- Sensacionalismo e autopromoção. O tom que transforma o profissional em celebridade do procedimento, e não em fonte de informação.
- Publicidade de medicamentos, insumos, equipamentos e alimentos. O médico não deve emprestar sua autoridade para vender produto de terceiro.
- Conferir selo de qualidade a produtos alimentícios, esportivos ou de higiene, induzindo garantia de resultado.
- Venda casada, premiação e sorteio vinculados a procedimentos, que desvirtuam a medicina como atividade-meio.
- Ensinar técnica médica a quem não é médico. A vedação ao ensino do ato médico a outros profissionais permanece.
A pergunta que resolve 90% dos casos antes de publicar: eu estou informando, ou estou prometendo?
As zonas cinzentas que mais geram denúncia
1. Antes e depois
É permitido, mas é onde mais se erra. A imagem em si raramente é o problema. O problema costuma ser a legenda que sugere que qualquer paciente terá o mesmo desfecho, ou a edição que dramatiza a diferença. Publique o antes e depois como material didático: explique o caso, o que foi feito e por quê. E tenha a autorização do paciente documentada.
2. Depoimentos em série
Repostar um elogio é permitido. Transformar o perfil numa esteira diária de pacientes agradecendo é outra coisa. A própria norma sinaliza que publicações de elogios feitas de maneira reiterada ou sistemática podem ser investigadas, porque na prática configuram autopromoção. Use com parcimônia e curadoria.
3. Preço em campanha agressiva
Informar quanto custa a consulta é permitido. Criar um "combo relâmpago com brinde" é outro território, porque entra na vedação de premiações e vendas casadas. A régua é simples: informar preço, sim; transformar o procedimento em oferta de varejo, não.
4. O superlativo
"O melhor da cidade", "referência número 1", "o mais avançado do país". Além de dificilmente comprovável, esse vocabulário é exatamente o que caracteriza autopromoção. Autoridade se constrói mostrando raciocínio clínico, não adjetivo.
Checklist antes de publicar
Use isto antes de cada post, anúncio ou vídeo. Se qualquer resposta for "não", ajuste antes de subir:
- O conteúdo informa ou ensina algo, em vez de apenas vender?
- Está livre de qualquer promessa, garantia ou insinuação de resultado?
- Está livre de superlativos e de comparação depreciativa com colegas?
- Se há imagem de paciente, existe autorização e a finalidade é educativa?
- O nome e o registro profissional estão identificados corretamente?
- Não há indicação de medicamento, produto ou marca de terceiros?
- Não há sorteio, brinde ou venda casada atrelados ao procedimento?
O que acontece se descumprir
A publicidade irregular pode gerar denúncia ao Conselho Regional de Medicina e a abertura de processo ético-profissional. As sanções previstas no Código de Ética Médica vão de advertência confidencial até a cassação do exercício profissional, conforme a gravidade e a reincidência.
Na prática, o custo maior costuma ser outro: o tempo, o desgaste e o risco reputacional de responder a um processo. É um preço alto para uma legenda mal escrita, especialmente quando a versão correta da mesma publicação teria funcionado igual ou melhor.
Perguntas frequentes
Médico pode aparecer em anúncio pago no Google e no Instagram?
Pode. O anúncio segue as mesmas regras do conteúdo orgânico: precisa ser informativo, sem promessa de resultado e sem sensacionalismo. Foi exatamente por isso que estruturamos a gestão de tráfego para clínicas com revisão de conformidade antes de cada campanha ir ao ar.
Preciso colocar meu CRM em tudo?
A identificação do profissional é parte central da norma. A prática segura é manter nome e registro visíveis no perfil e nas peças de divulgação, para que o paciente sempre saiba quem está falando.
E se eu não sou médico, sou dentista ou nutricionista?
Cada profissão tem o seu conselho e a sua norma. A lógica costuma ser parecida, com foco em conteúdo informativo e vedação a promessa de resultado, mas os detalhes mudam. Verifique a resolução do seu conselho antes de aplicar este guia ao pé da letra.
Posso mostrar minha rotina no consultório?
Sim. Mostrar o ambiente de trabalho é permitido e costuma ser um dos formatos que mais geram confiança, porque humaniza o atendimento sem prometer nada. Cuide apenas para não expor pacientes ou dados sensíveis sem autorização, o que envolve também a LGPD.
Quer divulgar sem medo do conselho?
Na MovMed, cada campanha e cada post passa por revisão de conformidade antes de ir ao ar. Você cresce, e a sua inscrição continua tranquila.
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